Au Pair masculino existe: saiba como funciona - Foto: Maria Lindsey / Pexels

Au Pair Masculino existe: saiba como funciona

Poucos sabem, mas o Programa de Au Pair não é exclusivo para mulheres. O Au Pair masculino existe e é uma grande oportunidade de viver no exterior, obter experiência internacional e melhorar o currículo.

Durante esse intercâmbio — com duração de um a dois anos — você mora com uma família norte-americana, cuida das crianças, recebe um salário e ainda ganha uma bolsa para estudar o que quiser. O programa é muito popular por ter um ótimo custo-benefício.

No entanto, se tornar um bro pair pode ser um pouco mais complicado em relação às mulheres. Os requisitos necessários aos homens são mais rígidos e a procura das famílias é menor. Apesar disso, Ricardo Vidal (21) e Ivo Medeiros (25) não desistiram do sonho e hoje ambos estão no segundo ano do programa.

Ficou curioso sobre esse intercâmbio? Confira a seguir todos os detalhes do Programa de Au Pair masculino nos Estados Unidos e conheça mais a experiência desses intercambistas.

Agências e requisitos do programa

Para realizar o Au Pair é preciso escolher uma agência que vai intermediar o contato com a família anfitriã, fornecer os documentos necessários e auxiliar durante todo o intercâmbio. 

Existem alguns requisitos universais para se aplicar como ser solteiro, sem filhos, boa saúde, ensino médio completo e não ter antecedentes criminais. Mas também há outros que podem variar em cada agência.

As agências enviam au pairs toda semana para os Estados Unidos – Foto: Joshua Woronieckia / Pixabay

Assim, criamos uma lista das agências que possuem o programa de Au Pair para homens e as qualificações exigidas dos candidatos. Veja qual se encaixa melhor no seu perfil!

Cultural Care: a mais popular, possui grande fluxo de famílias anfitriãs. Essa foi a escolhida por Vidal e Medeiros. Os requisitos do programa por ela são: 

  • idade entre 19 e 25 anos;
  • 1.000 horas comprovadas de trabalho com crianças (apenas uma referência);
  • carteira de habilitação definitiva,
  • inglês avançado.

GX Intercâmbio: representa a Go Au Pair no Brasil. Os requerimentos são:

  • ter entre 18 e 26 anos;
  • 200 horas comprovadas de trabalho com criança (experiência em dois locais diferentes),
  • inglês intermediário.

AIUSA: também popular entre os homens, pois não é obrigatório ter CNH. Nessa agência é necessário:

  • ter entre 18 e 26 anos;
  • 200 horas comprovadas de trabalho com crianças,
  • inglês intermediário.

Great Au Pair: as qualificações exigidas por essa empresa são: 

  • 1.200 horas comprovadas de trabalho com criança;
  • ter entre 18 e 26 anos;
  • carteira de habilitação,
  • inglês bom, suficiente para se comunicar.

Outras que aceitam candidatos homens são: Interexchange, Expert Aupair, Au Pair World. Lembre-se de entrar em contato com as agências, tirar dúvidas e obter mais informações sobre o processo de aplicação. 

Horas comprovadas com crianças

Cuidar de crianças é sempre uma grande responsabilidade. Ter prática nesse ramo não serve apenas como requerimento das agências, mas também para fazer um bom trabalho durante o intercâmbio. 

Por isso, é recomendado buscar experiências em escolas, buffets infantis, grupos de igreja e, até mesmo, como voluntário cuidando de filhos de amigos e familiares.

Experiência com crianças é uma das qualificações necessárias para se tornar au pair – Foto: Lukas / Pexels

Ricardo Vidal, que atualmente realiza o programa em Massachusetts, relata que trabalhou como voluntário em uma creche e uma escola pública. Além disso, foi professor de inglês e cuidou do sobrinho.

Já Ivo Medeiros, au pair em Nova York, descobriu o intercâmbio quando já tinha trabalhado por dois anos como monitor de brinquedos em festas infantis e colônias de férias. Essa foi a experiência usada na hora de comprovar suas horas na agência.

É recomendado aos futuros intercambistas buscarem experiência com crianças abaixo de dois anos para se tornar IQ (Infant Qualified). Conforme Vidal, isso aumenta a variedade de famílias no perfil, pois muitas têm filhos nessa faixa etária. 

Procurando uma host family

Uma das partes mais assustadoras do intercâmbio, principalmente para homens, é o processo de match, ou seja, encontrar uma família anfitriã. 

“Quando fiquei online, uma representante da agência falou que era muito difícil, porque geralmente as pessoas queriam mulher… Eu até fiquei meio triste na época, mas quando fiz meu application, tive muitas famílias”, conta Ivo Medeiros. 

Ao todo foram 15 famílias que se conectaram com ele e em apenas dois meses já tinha fechado seu match. O au pair explica que a maior parte delas tinham filhos meninos e não houve nenhum tipo de preconceito durante as entrevistas: “como são eles que te procuraram, já sabem que querem homens e foi mais tranquilo. Não teve nenhuma pergunta ruim”.

Entretanto, é preciso ter calma durante essa etapa para não errar na hora de escolher a família: “é um momento que você precisa ter paciência, principalmente se você é male au pair, porque pode levar um tempo. Demorei um mês e meio até fechar com a minha família. Eu tive quatro no meu perfil. É importante não se deixar levar pela emoção de receber a primeira”, diz Vidal.

Ivo escolheu uma host family de Nova York para ficar perto da namorada que também faz o intercâmbio – Foto: Ivo Medeiros

A experiência do intercâmbio

Ivo Medeiros descobriu o Au Pair pela namorada e resolveram fazer o intercâmbio juntos. Desde o início percebeu que seria uma oportunidade perfeita de viajar, ganhar experiência e ainda receber um salário em dólar. 

Apesar disso, ele conta como se surpreendeu com o seu próprio amadurecimento durante a nova experiência: “a forma como você cresce pessoalmente aqui fora é surreal. (…) eu vejo a diferença gritante da minha personalidade, da cabeça que eu tinha com a de hoje”. 

Ivo e sua namorada Jamille aproveitam para conhecer os Estados Unidos juntos – Foto: Ivo Medeiros

Ricardo Vidal explica que uma das coisas mais legais no Au Pair é a possibilidade de comprar muitas coisas caras que no Brasil não conseguiria. O bro pair também ressalta a facilidade de viajar e como é interessante mergulhar em uma nova cultura, morando com uma família norte-americana e participando de eventos e feriados: “todas essas experiências contam muito e vale muito a pena ser au pair”.

Dicas para futuros au pairs

Ter um perfil (application) bem detalhado é a chave para atrair as famílias e conseguir entrevistas, principalmente quando se trata de male au pairs. Busque obter o máximo de experiência de trabalho com crianças e desenvolva habilidades extras capazes de enriquecer o perfil como: cozinhar, dirigir e ter um alto nível de inglês.

Segundo Ricardo Vidal é também crucial os homens demonstrarem ser “extra simpáticos, extra alegres” ao falar com as famílias. Esse pode ser um dos seus maiores diferenciais.

Ricardo cozinha para amigos e para sua host family – Foto: Ricardo Vidal

Mas, claro, antes de se aplicar é necessário preencher todos os requisitos exigidos, desanimando muitos candidatos:

“Recebo mensagens de homens que querem ser au pair e vejo eles reclamando muito. Mais reclamando do que fazendo (…) os requisitos não são iguais aos das meninas, isso é um fato, mas a experiência vai ser igual. (…) então vale a pena. As pessoas (male au pairs) deveriam correr mais atrás em vez de ficar reclamando”, diz Vidal. 

Medeiros também aconselha os candidatos a não se abalarem com preconceitos que podem surgir: “segue seus sonhos sabe? Se é sua vontade vir para o Au Pair, luta, corre atrás e vem, porque é incrível. Não se deixe abater pelo o que outras pessoas fazem ou por desânimo, pois isso sempre vai ter”. 

E aí, gostou do Au Pair masculino? Então confira os primeiros passos a serem realizados e embarque no intercâmbio dos sonhos!

Imagem de capa: Maria Lindsey / Pexels

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